• Guilherme Purvin

Thomas Bewick, naturalista e xilogravurista

- Guilherme Purvin -


Em 1753, em Northumberland, condado inglês fronteiriço à Escócia, nascia Thomas Bewick, que se tornaria um aclamado xilogravurista, artista e naturalista. No final do século XVIII Thomas Bewick experimentou uma nova técnica de xilografia, com a finalidade de reduzir os custos de impressão: utilizando tábuas de madeira mais dura como matriz, marcava os desenhos com o mesmo buril que se utilizava nas gravuras de metal.

Buril

Isso proporcionava uma definição muito maior no traço do que com goivas e facas. Em vida, Bewick foi reconhecido como um importante ilustrador, mas foi somente após sua morte passou a ser considerado um gênio verdadeiramente original.


Os livros ilustrados por Bewick são hoje itens cobiçados por colecionadores. Ademais, a excelência de suas xilogravuras constituiu uma importante contribuição para o estudo das aves e da vida selvagem britânica.


A seguir, algumas ilustrações famosas de autoria do naturalista / xilogravurista Thomas Bewick, oferecidas pelo site da Bewick Society, de onde foram colhidas quase todas as informações desta postagem.

The Chillingham Bull, impressão de folha única (7 1/4 x 9 3/4 polegadas) realizada em 1789, é a mais conhecida de todas as impressões de Bewick. Foi encomendado por Marmaduke Tunstall, de Wycliffe em North Yorkshire. O bloco original ainda existe na coleção da Hatton Gallery, embora esteja dividido e inutilizável. Um bloco de cópia também sobrevive.

 

The Megpie, ilustração da página 110 do livro "A History of British Birds, Volume I (Land Birds)", de 1797. Este primeiro volume da História das Aves Britânicas (Aves Terrestres) foi escrito por Ralph Beilby. O livro, porém, é admirado sobretudo pela beleza e limpidez das xilogravuras de Bewick, que são consideradas o trabalho mais requintado dentre as mais finas obras de arte em xilogravura.

 

The Mute Swan ilustra a pág. 252 de "A History of British Birds, Volume II (Land Birds)". Este segundo volume foi escrito e ilustrado pelo próprio Bewick e é dedicado ao estudo das aves aquáticas. De acordo com o que consta do site da Bewick Society, Bewick afirmava que, tão logo concluía a gravura da ave na madeira, ele começava a descrevê-la a partir de seu espécime, consultando ao mesmo tempo todas as autoridade que conseguia encontrar para saber o que havia até então sido dito a seu respeito, ao que acrescia o que ele sabia de seus próprios conhecimentos. Foi assim que, afirmava o autor, terminou, com a maior fidelidade que pôde, o segundo volume da História das Aves Britânicas. O livro veio a lume em 1804.

 

Waiting for Death, xilogravura datada de 1828 e publicada em 1832, impressão de folha única (8 3/4 x 11 1/2 polegadas), foi a última peça trabalhada por Bewick antes de morrer. Era parte de sua experimentação em impressões de tamanho maior e não foi concluída em razão de sua morte. O tema era idêntico a muitos de seus primeiros trabalhos em desenho.

 

Com o advento das técnicas de impressão de fotografias, o objetivo utilitário de xilogravuras perdeu a razão de ser. Caso viesse a sobreviver, seria por conta de uma revolução conceitual - a xilogravura como obra de arte e não como carimbo de impressão de ilustrações para textos.


 

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