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  • Guilherme Purvin

Cooperativa ecofeminista na Ilha de Príncipe

Atualizado: 11 de jan.

- Guilherme Purvin -

Até 2017, havia 79 Reservas da Biosfera da UNESCO situadas na África. As reservas da biosfera foram criadas para proteger o patrimônio natural e cultural, promover conservação da biodiversidade e promover o uso responsável e sustentável dos recursos naturais. Toda a ilha de Príncipe é considerada uma Reserva da Biosfera.


Foto: (c) Guilherme Purvin.

A Unidade de Gestão da Biosfera desenvolve várias atividades relevantes, tais como formação em ecoturismo para guias locais, promoção de uma gestão de resíduos responsável, apoio a negócios sustentáveis e assistência a cooperativas locais. Diferentemente do que ocorre, por exemplo, com população paulista, que praticamente ignora a existência da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo, em Príncipe a população sente muito orgulho por haver recebido esse título da UNESCO. Há um prédio destinado à Unidade de Gestão da Biosfera na principal praça da cidade de Santo António.


Foto: (c) Guilherme Purvin.

Ecofeminismo e reciclagem

O programa da Biosfera criou em Porto Real uma cooperativa de mulheres que converte resíduos orgânicos em composto e transforma garrafas de vidro em lindas contas de vidro colorido para fazer joalharia ou outras peças artesanais. Fomos conhecer essa cooperativa, tendo sido recebidos pela Anabela Pina, uma feminista muito consciente.

Foto: (c) Guilherme Purvin.

Anabela Pina trabalhando na confecção de bijuterias de vidro reciclado.


 

O processo de reciclagem de garrafas de vidro é totalmente artesanal (manual). O vidro é moído num pilão, depois é peneirado e a areia produzida é misturada com pigmentos, colocada em pequenas formas e levada a um forno a 1800 graus. Anabela nos explicou que a cooperativa conta com a participação de quatro mulheres.


Foto: (c) Guilherme Purvin.

Bacia de madeira com a areia de vidro já moído e peneirado.


 

Foto: (c) Guilherme Purvin.

Moldes para a areia de vidro que vão para o forno.


 

Foto: (c) Guilherme Purvin.

Bancada de trabalho, onde podem ser vistas as bacias com areia, os pigmentos, as formas e as peças já produzidas.


 


Foto: (c) Guilherme Purvin.

Não há um só aparelho elétrico para facilitar o trabalho. Até mesmo o polimento é feito manualmente, com limas.


A cooperativa fica em Santo António. De acordo com informação constante nos cartazes do museu da Roça Belo Monte, é possível inscrever-se para um dia de formação e fazer os seus próprios colares de contas de vidro

 

CONHECIMENTOS MEDICINAIS TRADICIONAIS

Outra iniciativa da UNESCO foi a criação de uma cooperativa de medicina tradicional local, a ATTRAP. Queríamos conhecer a ATTRAP, mas o Ezequiel, nosso guia, explicou que a cooperativa está desmobilizada e só se reúne em ocasiões específicas, quando previamente agendada a data. Encontrei neste site algumas informações interessantes sobre o tema.


De acordo com as informações constantes do Museu da Roça Porto Belo, a ATTRAP, cooperativa de terapeutas curandeiros, parteiros e massagistas tradicionais, foi criada com o objetivo de salvaguardar o conhecimento local de plantas medicinais, que está sob ameaça e em risco de desaparecer. Hoje restam muito poucos curandeiros tradicionais, tratando-se na maior parte dos casos de pessoas já muito idosas. Além disso, algumas espécies de plantas têm-se tornado cada vez mais raras e o seu uso e exploração precisa de ser gerida de forma sustentável.


Ezequiel explicou-nos que, hoje, já não é permitido realizar o parto de crianças em casa, com parteiros tradicionais. Toda mulher grávida deve ser levada à maternidade para dar à luz seu nenê. Aliás, o que mais se vê na ilha são crianças e mulheres grávidas:


Foto: (c) Guilherme Purvin


Foto: (c) Guilherme Purvin

Príncipe, 9/1/2024

Guilherme Purvin

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